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Maria Cecília Rossi, conhecida profissional do mercado de capitais, foi eleita em dezembro para o Conselho de Administração da Bovespa como suplente de Antonio Carlos dos Reis, o Salim, presidente da CGT e representante das pessoas físicas. “Atuo no mercado de capitais há mais de 20 anos e tive a oportunidade de vivenciar todos os seus lados”, diz Maria Cecília. “Comecei como analista, participei do projeto da BM&F, passando depois para a Bovespa, encarregada de projetos especiais.” E ocupou a Superintendência de Desenvolvimento de Mercado da CVM. “Com isso ganhei uma visão ampla do mercado de capitais”, diz. Hoje, tem sua própria empresa, a Inter-link Consultoria de Mercado de Capitais.
- Como tem sido seu trabalho no Conselho da Bolsa?
- O Conselho permite que todos, inclusive os suplentes, participem das discussões, embora só os efetivos votem. Contando representantes das corretoras, companhias abertas, investidores institucionais e o superintendente-geral são 19 membros, 12 efetivos e sete suplentes. Sou a única mulher.
- O pequeno aplicador ganha importância na Bolsa?
— Ser representante das pessoas físicas é interessante quando elas atingem a importância dos investidores institucionais. As pessoas físicas pesam quase 30% no mercado de ações, depois de caírem para 6%. Trabalho em parceria com Antonio Carlos Reis, que me chama constantemente para discutir interesses do pequeno investidor. Ele tem domínio da representação política e eu sou estritamente técnica.
O momento é promissor para o pequeno investidor? — É promissor e acho que é o resultado de um nível maior de informação da sociedade. A Bolsa sempre despertou o interesse do investidor. Mas, com o baixo nível de informatização, era difícil atendê-lo bem. Com a internet, o home broker, abriu-se um canal para este mercado. Paralelamente, mudou a mentalidade das corretoras, que passaram a ver no pequeno investidor um segmento que pode ser bastante rentável.
- A mulher tem um papel particular na Bolsa?
— Ao aumentar sua participação no mercado de trabalho, a mulher tem tomado mais decisões importantes no planejamento do investimento na família e se sente atraída pela possibilidade de participar do crescimento da economia. A mulher é mais contida, precisa de mais segurança para entrar. Tem mais paciência, e isso faz que seu perfil seja bastante adequado para investir em Bolsa. Homens têm objetivos de ganhos rápidos e se movimentam mais. As mulheres demoram mais para entrar, mas, feita uma escolha, começam a desenvolver um vínculo com a empresa e, se a performance não é tão boa, dá mais uma chance, fica mais um pouco, acredita no projeto.
- São mais maternais?
— Não sei se a palavra é esta, mas vejo que as mulheres estabelecem mais vínculos com as empresas em que investem. É a diferença entre o investidor americano e o europeu: o americano entra mais fácil, mas não cria vínculo: tem um objetivo e se não atingir esse objetivo vai para outra. O europeu é mais resistente para entrar, estuda mais o mercado, mas, uma vez que tem certeza que sua escolha está bem fundamentada, não é um ou outro percalço que vai fazer ele sair.
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